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Para falar mais sobre este
assunto a Recreação Magazine convidou o professor Sebastião de
Oliveira Coelho para um bate papo, acompanhe:
Recreação Magazine: Seja muito bem vindo professor Sebastião. É um
imenso prazer recebê-lo para este bate papo sobre os jogos
cooperativos.
Sebastião: Ronaldo, é um prazer e uma alegria muito grande
poder estar aqui conectado com os leitores de Recreação Magazine e
poder contar um pouquinho da minha história de vida, vivida nos
últimos anos com muita intensidade, dedicação, entusiasmo, superação,
cooperação e muito “encantamento pelo ser humano”. Cada ser humano
tem o poder de construir a sua própria história de vida e ter a vida
que deseja ter. É nesta perspectiva que venho atuando ultimamente.
Ronaldo agradeço muito por esta oportunidade de expressar o que penso
sobre os Jogos Cooperativo, numa sociedade que tem valorizado
demais a competição.
Os desafios apresentados no cotidiano da educação me levaram a buscar
informações e formação para agregar maior valor ao fazer pedagógico
cotidiano. Confesso aqui que sempre tive uma grande inquietação na
busca de encontrar novas ferramentas que pudessem contribuir para um
ação pedagógica mais produtiva e mais prazerosa e foi nesta busca que
encontrei muitas outras possibilidades, dentre as quais vou destacar
quatro : “Os Jogos Cooperativos”; “As Danças Circulares”; “A
Programação Neurolinguística” ( PNL ) e a “Emotologia” (A Verdadeira
Ciência do Ser Humano). Estas têm sido as principais ferramentas que
venho utilizando no meu trabalho de consultoria Educacional e
Empresarial, com resultados surpreendentes.
Recreação Magazine: Professor, conte para nós um pouco de
sua carreira e como você se encontrou com os jogos cooperativos.
Sebastião: Descobri os Jogos Cooperativos no ano de 2000. Eu
trabalhava como Prof. de Ensino Fundamental na Rede Municipal de
Educação do Município de São Bernardo do Campo e neste ano foi
oferecido para os professores uma Oficina de Jogos Cooperativos que
seria realizada em um Sábado o dia todo. Como eu já estava pesquisando
o tema, esta era a minha grande oportunidade de vivenciá-los na
prática. Outro dado fundamental, esta oficina seria coordenada por
aquele que era o responsável pela introdução dos Jogos Cooperativos no
Brasil e a maior autoridade no assunto, o Prof. Fábio Otuzi Brotto. Me
inscrevi nesta oficina e confesso a todos vocês que estão lendo esta
matéria: “foi amor à primeira vista”. Fiquei tão apaixonado que
alguns meses depois fui um dos primeiros alunos matriculado no Curso
de Pós – Graduação em Jogos Cooperativos na Universidade Monte Serrat,
em Santos. Em Março de 2001 iniciei aquele que foi o melhor curso
realizado até então em minha vida. Daí pra frente foi uma mudança de
paradigma na minha vida, passei a ter novas atitudes no processo
educacional. Enriqueci minha ação pedagógica com os Jogos
Cooperativos em sala de aula com os alunos e fui deixando de lado
todas aquelas práticas de jogos que só instigavam a competição. Com
isto criamos em sala de aula um ambiente mais produtivo, solidário e
harmonioso.
Recreação Magazine: Como foi a introdução deste conceito de jogos
cooperativos na Prefeitura de Diadema?
Sebastião: De posse do conhecimento teórico e das vivencias no
curso de pós-graduação, me habilitei a oferecer oficinas de Jogos
Cooperativos para quem tivesse disposto a experimentá-los. No final do
ano de 2001, a Secretaria da Educação, da Prefeitura Municipal de
Diadema, lança um Programa de Formação para os professores da rede que
recebeu o nome de “Pratas da Casa”, cujo objetivo era valorizar os
profissionais do quadro que quisesse compartilhar sua expertise com os
demais colegas da rede Municipal. Com esta oportunidade organizei uma
oficina com 12 horas, distribuídas em três encontros de quatro horas
cada e ofereci para a rede. As vagas foram preenchidas rapidamente e
a oficinas foi um verdadeiro sucesso, despertando o interesse de
muitos outro professores. As informações sobre esta primeira oficina
correu a rede e no ano de 2002, fui convidado pela Secretaria de
Educação para desenvolver um Programa de Formação para todos os
Professores e Educadores que trabalhavam nas Creches Municipais ao
longo de todo o ano, aceitei o desafio e daí em diante os Jogos
Cooperativos e as Danças Circulares passaram a fazer parte de todos os
segmentos da Educação e nos anos seguintes tive a oportunidade de
realizar várias Formações. Através destas ações os Jogos
Cooperativos passaram a fazer parte do trabalho dos professores,
educadores, não só na Rede Municipal de educação, foi também levado
para outras segmentos como Secretaria de Esportes, Cultura, Educação
Comunitária, Escola Aberta, Adolescente Aprendiz, Movimentos
Populares, em fim em todos os segmentos onde existam pessoas se
relacionando em grupos. Tudo isto tem como meritórios, aqueles que
participaram das oficinas e se tornavam multiplicadores. Para mim é
extremamente gratificante ver toda esta expansão dos Jogos
Cooperativos em Diademas e outras cidades vizinhas. Aproveito esta
oportunidade para de público agradecer ao Universo por ter
proporcionado tudo isto na minha vida. Tenho consciência que nada
teria acontecido se eu não tivesse tido a atitude de ir em busca de
algo inovador e prazeroso na Educação. Isto me permite afirmar:
“tenho plena convicção que quando você toma consciência da sua Missão,
você pode fazer a diferença na sociedade, e este é um poder que está
ao alcance de todos, desde que façam esta escolha”.
Recreação Magazine: O que podemos esperar das crianças que
convivem com as práticas dos Jogos Cooperativos?
Sebastião: É da natureza das crianças serem receptivas à aquilo
que lhes é apresentado. Elas têm uma grande sede de aprender e aquilo
que é lúdico faz parte deste processo, aliás foi Johan Huizinga quem
trouxe este conceito, na década de trinta, quando publicou o livro
“Homo Ludens”. Nesta obra ele mostra que o ser humano é lúdico por
natureza quando afirma: “é no jogo e pelo jogo que a civilização surge
e se desenvolve”. Portanto às crianças que lhes forem apresentados
atividades de Jogos Cooperativos, vai contribuir na formação de um
indivíduo que criará novas conexões “neurais”, permitindo-as
estabelecer relações mais solidárias e de cooperação com aqueles que
conviverão no dia-a-dia.
Hoje é sabido que o processo de apreender se dá pela passo a passo das
vivências e das repetições. Portanto, quanto mais atividades com
características Cooperativas eu desenvolver com meus alunos, mais
solidários eles se tornarão hoje e amanhã, e levarão consigo o
aprendizado de que podemos viver melhor “Jogando uns com os outros,
ao invés de uns contra os outros”.
Quando você apresenta à criança os jogos Cooperativos, elas ficam um
pouco receosos no início, pois só conhecem os Jogos, onde alguém vence
alguém e nos Jogos Cooperativos isto não acontece, na há vencedor,
isto causa espanto e aí pode haver uma mudança de paradigma, aos
poucos os alunos vão percebendo que é possível jogar e sentir prazer
no jogo, onde todos ganham e conseqüentemente não havendo
perdedores há um fortalecimento da solidariedade no grupo que podem
aprofundar seus laços de companheirismo e mais cooperação.
Este processo todo será possível quando o focalizador das atividades é
um profissional com grande competência, bem qualificado e que
acredita e vivencia a cooperação em sua vida. Aqui vale uma
generalização, em tudo que vamos realizar na vida, se não
transpirarmos aquilo que acreditamos, teremos resultados
insatisfatórios no que fazemos.
Recreação Magazine: Qual a origem destas práticas
cooperativas, de onde elas surgem e como vieram parar aqui no Brasil?
As práticas cooperativas surgiram há milhares de anos. Tem suas
origens nos povos primitivos que se uniam para celebrar as conquistas
que a vida e a natureza lhes proporcionavam. Nestas festividades todos
jogavam, brincavam e dançavam uns com os outros. Na época atual
essas experiências foram estudadas e sistematizadas, pelo americano
Ted Lentz, na década de cinqüenta. Mais tarde o Canadense Terry Orlik,
da Universidade de Ottawa, se torna um dos maiores estudiosos dos
Jogos Cooperativos e em 1978 publica o livro “Vencendo a
Competição”, que serve de referencia no nosso tempo e é a obra mais
completa que aborda com profundidade os fundamentos dos Jogos
Cooperativos. Esta obra “Vencendo a Competição”, foi lançada no
Brasil em 1989 pela Editora Círculo do Livro.
No Brasil o pioneiro dos Jogos Cooperativos foi o Prof. de Educação
Física, Fábio Otuzi Brotto, que no início dos anos 90 iniciou o seu
trabalho com a primeiras experiências de Jogos Cooperativas. Em
1995, o Prof. Fábio Brotto lança no Brasil o primeiro livro sobre
Jogos Cooperativos com o título |
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Conheça Melhor
Sebastião de Oliveira Coelho
Nascido
em Silveirânea – MG, Sebastião migra para São Bernardo em 1975.
Trabalha como operário nas indústrias da região por alguns anos. Em
1987 ingressa na Prefeitura de Diadema como Professor de Educação de
Jovens e Adultos. Vivencia várias experiências em vários cargos na
Rede Municipal de Educação de Diadema tais como: Chefia da Educação de
Jovens e Adultos, Vice- Diretor de Creche, Diretor de Escola de Ensino
Fundamental e Pré-Escola, Diretor de Creche, Diretor Presidente da
Fundação Florestan Fernandes (Formação Profissional ).
Participou do desenvolvimento de vários projetos de Formação de
Professores com Oficinas de Jogos Cooperativos , Danças Circulares,
Tecelagem em Tear Manual, Palestras sobre Emotologia, Programação
Neurolinguística e Desenvolvimento Humano.
Formação Acadêmica: Magistério; Pedagogia; Pós-Graduação em Jogos
Cooperativos
Outras Formação: Curso de Danças Circulares pela Triom; Master
Practitioner em Programação Neurolinguística pelo Instituto Saber em
São Paulo; Formação Básica e Inter-Avançada em Emotologia (a
verdadeira ciência do ser humano ) pela Cidade do Cérebro em Campinas;
Curso de Palestrante pela Academia do Palestrante em São Paulo e
outros.
Atuação Profissional: Além das relatadas acima foi professor de
Ensino Fundamental na Prefeitura Municipal de São Bernardo de 1999 a
2004;
Atualmente atua como Assistente Pedagógico na Fundação Florestan
Fernandes em Diadema; ministra palestras, Cursos, Seminários e
Oficinas em Escolas, Empresas, ONGs... Atua como Consultor em
Programação Neurolinguística com foco na Educação no Instituto Saber
em São Paulo.
"Sou um praticante de atividades físicas, adoro brincar com crianças,
jovens e adultos. Pratico corrida de longas distâncias pelo menos três
vezes por semana. Sou um verdadeiro apaixonado pelo ser humano e
tenho como Missão Contribuir para o Desenvolvimento das
Potencialidades Humanas."
Sebastião
de Oliveira Coelho
Me coloco à
sua disposição para CON-TATO pelo e-mail:
seboc06@yahoo.com.br |
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“Se
o Importante e Competir o Fundamental é Cooperar”. Este livro passou a
ser a referencia do tema no Brasil e passou também a figurar nas
bibliografias de concursos públicos para profissionais da Educação,
recreação e outros. Em pouco tempo os Jogos Cooperativos estavam
presentes nos vários segmentos da sociedade tais como, educacional,
empresarial, no campo da saúde, nos segmentos administrativos e muitos
outros.
Recreação Magazine: Comente um pouco conosco sobre o cooperar e o
competir. Acredita que são conceitos que se opõem ou se completam?
Devíamos substituir o competir pelo cooperar?
A humanidade quando foi evoluindo na organização social ao longo da
história, foi distanciando daquele jeito primitivo de viver em
Comum-Unidade, foram criando cercas, regras para a Com-Vivência com
foco no indivíduo, gerando assim uma cultura individualista, onde os
interesses passam a ser de alguns que dão ordens aos outros, e não do
coletivo. Este novo paradigma gera nas pessoas o comportamento de
Com-Petir umas com as outras e esta se torna a ação prioritária de
todos, um novo valor que é ensinado de geração a geração a
competição, daí o bordão “você tem que competir com os outros, em
tudo, para ser o melhor”.
“Cooperar ou Competir”, são formas de agir e ser no mundo, portanto,
no meu entender, pode ser uma escolha consciente buscarmos ações que
no dia-a-dia nos levem a ter um comportamento cooperativo ou
competitivo. Creio que pode ser muito saudável você viver numa
sociedade onde o valor primordial possa ser a solidariedade, a
harmonia, que são princípios da Cooperação. Acredito também que é
nosso papel apresentar às pessoas que convivem conosco que existe este
dois jeitos de viver na sociedade, Cooperando ou Competindo, cada um
deles vai gerar um resultado diferente do outro. Quero ressaltar que
podemos construir um novo paradigma a partir do mito de que “é a
competição que nos faz evoluir”.
Apresento a seguir uma definição de Cooperação e Competição descrita
por Fábio Brotto em 1999, “Cooperação é um processo de
interação social, em que os objetivos são comuns, as ações são
compartilhadas e os benefícios são distribuídos por todos”. “Competição
é um processo de interação social, em que os objetivos são
mutuamente exclusivos, as ações são isoladas ou em oposição umas às
outras, e os benefícios são destinados somente para alguns”.
Recreação Magazine: Como se dá a prática dos jogos
cooperativos no ambiente escolar? Quais os principais benefícios que
posso extrair de sua prática?
A prática Cooperativa no ambiente escolar passa pela
ressignificação de valores que o professor poderá fazer se sua
escolha for atuar com os Jogos Cooperativos. É imprescindível que o
professor tenha um profundo conhecimento do que são os Jogos
Cooperativos e seus fundamentos. Sem o devido preparo há um risco de
distorção que poderá comprometer o entendimento dos Jogos Cooperativos
e sua eficácia no processo educacional. De posse dessas informações e
“sem medo de ser feliz” é só apresentá-los aos alunos, através de
atividades em sala de aula ou em atividades extra-classe, formando
grupos de ação sempre, e estabelecendo regras claras de participação.
Estas práticas irão gradativamente gerando novos comportamentos nos
participantes dos grupos que passam a conviver de forma mais
harmoniosa uns com os outros. O resultado deste processo será um
prazer maior na ação pedagógica do professor para o consecução dos
objetivos de aprendizagem com seu grupo de alunos. Esta experiência
prazerosa, eu tive a oportunidade de vivenciar em sala de aula com
alunos durante alguns anos.
Recreação Magazine: Queria encerrar agradecendo mais uma vez sua
importante participação... (comentários sobre as respostas) e pedir
para que se despeça deixando umas palavras "cooperativas", para nossos
leitores.
Quero finalizar esta minha participação em Recreação Magazine,
agradecendo de coração, primeiramente ao Ronaldo, que tive o
privilégio de conhecer em uma Oficina de Jogos Cooperativos ministrada
por mim em Diadema nos mês de Outubro de 2009, pelo convite para esta
entrevista. Em segundo lugar quero agradecer de coração a você leitor
que dedicou alguns minutos do seu precioso tempo para ler esta
matéria, obrigado.
Encerro deixando a todos uma mensagem do nosso mestre da Cooperação
Fábio Otuzi Brotto: “Minha intenção é fazer a parte que me cabe:
comunicar quem SOU. Fazer “CON-TATO” com quem VOCÊ É. Para encontrar
quem somos NÓS... Por isso, confio que partilharemos desta jornada
essencial de resgate da nossa possibilidade de SER e VIVER em
COMUM-UNIDADE”.
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