Recreação Magazine
                       Novembro de 2009  -  Número 02  -  Ano I

 







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Outubro

 

      

 

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Jogos Cooperativos

O cooperar vem sendo trazido a tona por vários estudiosos da atualidade como ponto de escape e equilíbrio à competição excessiva que é criado pelo nosso ritmo de vida, nosso sistema social e financeiro.  Dentro deste universo, surge os jogos cooperativos como possibilidade de experimentação e vivência de conceitos, sensações, resultados da cooperação, objetivando a aplicação deste conceitos, posteriormente, na vida cotidiana na direção de uma sociedade melhor.

 

 

Para falar mais sobre este assunto a Recreação Magazine convidou o professor Sebastião de Oliveira Coelho para um bate papo, acompanhe:

 

Recreação Magazine: Seja muito bem vindo professor Sebastião.  É um imenso prazer recebê-lo para este bate papo sobre os jogos cooperativos.

Sebastião: Ronaldo, é  um prazer e uma alegria muito grande poder estar aqui conectado com os leitores de Recreação Magazine e poder contar um pouquinho da minha história de vida, vivida nos últimos anos com muita intensidade, dedicação, entusiasmo, superação, cooperação e muito “encantamento  pelo  ser humano”.  Cada ser humano tem o poder de construir a sua própria história de vida e ter a vida que deseja ter. É nesta perspectiva que venho atuando ultimamente. Ronaldo agradeço muito por esta oportunidade de expressar o que penso sobre  os Jogos Cooperativo, numa  sociedade que tem  valorizado demais  a competição.

Os desafios apresentados no cotidiano da educação me levaram a buscar informações e formação para agregar maior valor ao fazer pedagógico cotidiano. Confesso aqui que  sempre tive uma grande inquietação na busca de encontrar  novas ferramentas que pudessem contribuir para um ação pedagógica mais produtiva e mais prazerosa e foi nesta busca que encontrei  muitas outras possibilidades, dentre as quais vou destacar  quatro : “Os Jogos Cooperativos”;  “As Danças Circulares”; “A Programação Neurolinguística” ( PNL ) e a “Emotologia” (A Verdadeira Ciência do Ser Humano). Estas  têm sido as  principais ferramentas que venho utilizando no meu trabalho de consultoria Educacional e Empresarial, com resultados surpreendentes.

Recreação Magazine: Professor, conte para nós um pouco de sua carreira e como você se encontrou com os jogos cooperativos.


Sebastião:
Descobri os Jogos Cooperativos no ano de 2000. Eu trabalhava como Prof.  de Ensino Fundamental  na Rede Municipal de Educação do Município de São Bernardo do Campo e neste ano  foi oferecido para os professores uma Oficina de Jogos Cooperativos que seria realizada em um Sábado o dia todo. Como eu já estava pesquisando o tema, esta era a minha grande oportunidade de vivenciá-los na prática. Outro dado fundamental, esta oficina seria coordenada por aquele que era o responsável pela introdução dos Jogos Cooperativos no Brasil e a maior autoridade no assunto, o Prof. Fábio Otuzi Brotto. Me inscrevi nesta oficina e confesso a todos  vocês que estão lendo esta  matéria: “foi amor à primeira vista”. Fiquei tão apaixonado que alguns  meses depois  fui um dos primeiros alunos matriculado no Curso de Pós – Graduação em Jogos Cooperativos na Universidade Monte Serrat, em Santos. Em  Março de 2001 iniciei aquele que foi o melhor curso realizado até então em minha vida. Daí pra frente foi uma mudança de paradigma na minha vida, passei  a ter  novas atitudes no processo educacional. Enriqueci  minha ação pedagógica com os Jogos Cooperativos em sala de aula com os alunos e fui deixando de lado todas aquelas práticas de jogos que só instigavam a competição. Com isto criamos em sala de aula um ambiente mais produtivo, solidário e harmonioso.

Recreação Magazine: Como foi a introdução deste conceito de jogos cooperativos na Prefeitura de Diadema?

Sebastião: De posse do conhecimento teórico e das vivencias  no curso de pós-graduação, me habilitei a  oferecer oficinas de Jogos Cooperativos para quem tivesse disposto a experimentá-los. No final do ano de 2001, a Secretaria da Educação, da Prefeitura Municipal  de  Diadema, lança um Programa de Formação para os professores da rede que recebeu o nome de “Pratas da Casa”, cujo objetivo era valorizar os profissionais do quadro que quisesse compartilhar sua expertise com os demais colegas da rede Municipal. Com esta oportunidade organizei uma oficina com 12 horas, distribuídas em três encontros de quatro horas cada e ofereci para a rede. As vagas foram preenchidas  rapidamente e a oficinas foi um verdadeiro sucesso, despertando o interesse de muitos outro professores. As informações sobre esta primeira oficina correu a rede e no ano de 2002, fui convidado pela Secretaria de Educação para desenvolver um Programa de Formação para todos os Professores e Educadores que trabalhavam nas Creches Municipais ao longo de todo o ano, aceitei o desafio e daí em diante os Jogos Cooperativos e as Danças Circulares passaram a fazer parte de todos os segmentos da Educação e nos anos seguintes tive a oportunidade de realizar  várias Formações.  Através destas ações os Jogos Cooperativos passaram a fazer parte do trabalho dos professores, educadores, não só na Rede Municipal de educação, foi também levado para outras segmentos como Secretaria de Esportes, Cultura, Educação Comunitária, Escola Aberta, Adolescente Aprendiz, Movimentos Populares, em fim em todos os segmentos onde existam pessoas se relacionando em grupos. Tudo isto tem como meritórios,  aqueles que participaram das oficinas e se tornavam multiplicadores.  Para mim é extremamente gratificante ver toda esta expansão dos Jogos Cooperativos em Diademas e outras cidades vizinhas. Aproveito esta oportunidade para de público agradecer ao Universo por ter proporcionado tudo isto na minha vida. Tenho consciência que nada teria acontecido se eu não tivesse tido a atitude de ir em busca de algo inovador e prazeroso na Educação. Isto me permite afirmar:  “tenho plena convicção que quando você toma consciência da sua Missão, você pode fazer a diferença na sociedade, e este é um poder que está ao alcance de todos, desde que façam esta escolha”.

Recreação Magazine:  O que podemos esperar das crianças que convivem com as práticas dos Jogos Cooperativos?

Sebastião: É da natureza das crianças serem receptivas à aquilo que lhes é apresentado. Elas têm uma grande sede de aprender e aquilo que é lúdico faz parte deste processo, aliás foi Johan Huizinga quem trouxe este conceito, na década de trinta, quando publicou o livro “Homo Ludens”. Nesta obra ele mostra que o ser humano é lúdico por natureza quando afirma: “é no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve”. Portanto às crianças que lhes  forem apresentados  atividades de Jogos Cooperativos, vai contribuir na formação de um indivíduo que criará novas conexões “neurais”, permitindo-as estabelecer relações mais solidárias e de cooperação com aqueles que conviverão  no dia-a-dia.

Hoje é sabido que o processo de apreender se dá pela passo a passo das vivências e das repetições. Portanto, quanto mais atividades com características Cooperativas eu desenvolver com meus alunos, mais solidários eles se tornarão hoje e amanhã, e levarão consigo o aprendizado de que podemos viver melhor  “Jogando uns com os outros, ao invés de uns contra os outros”. 

Quando você apresenta à criança os jogos Cooperativos, elas ficam um pouco receosos no início, pois só conhecem os Jogos, onde alguém vence alguém e nos Jogos Cooperativos isto não acontece, na há vencedor, isto causa espanto e aí pode haver uma mudança de paradigma, aos poucos os alunos vão percebendo que é possível  jogar e sentir prazer no jogo, onde todos  ganham  e  conseqüentemente não havendo perdedores  há um fortalecimento da solidariedade no grupo que podem aprofundar seus laços de companheirismo e mais cooperação.

Este processo todo será possível quando o focalizador das atividades é um profissional com grande competência,  bem qualificado e que acredita  e vivencia a cooperação em sua vida. Aqui vale uma generalização, em tudo que vamos realizar na vida, se não transpirarmos aquilo que acreditamos, teremos resultados insatisfatórios no que fazemos. 

 Recreação Magazine: Qual a origem destas práticas cooperativas, de onde elas surgem e como vieram parar aqui no Brasil?


 As práticas cooperativas surgiram há milhares de anos. Tem suas origens nos povos primitivos que se uniam para celebrar as conquistas que a vida e a natureza lhes proporcionavam. Nestas festividades todos jogavam, brincavam e dançavam  uns com os outros.  Na época atual essas  experiências foram estudadas e sistematizadas, pelo americano Ted Lentz, na década de cinqüenta. Mais tarde o Canadense Terry Orlik, da Universidade de Ottawa, se torna um dos maiores estudiosos dos Jogos Cooperativos  e em  1978 publica o livro “Vencendo  a  Competição”, que serve de referencia no nosso tempo e é a obra mais completa que aborda com profundidade os fundamentos dos Jogos Cooperativos. Esta obra “Vencendo a Competição”, foi  lançada no Brasil em 1989 pela Editora  Círculo  do Livro.   

 

No Brasil o pioneiro  dos Jogos Cooperativos foi o Prof. de Educação Física, Fábio Otuzi Brotto,  que no início dos anos 90 iniciou o seu trabalho com a primeiras experiências  de Jogos  Cooperativas. Em 1995, o Prof. Fábio Brotto lança no Brasil o primeiro livro sobre Jogos Cooperativos  com o título

 

 

Conheça Melhor

 

Sebastião de Oliveira Coelho

 

Nascido em Silveirânea – MG, Sebastião migra para São Bernardo em 1975. Trabalha como operário nas indústrias da região por alguns anos. Em 1987 ingressa na Prefeitura de Diadema como Professor de Educação de Jovens e Adultos. Vivencia várias experiências em vários cargos na Rede Municipal de Educação de Diadema tais como: Chefia da Educação de Jovens e Adultos, Vice- Diretor de Creche, Diretor de Escola de Ensino Fundamental e Pré-Escola, Diretor de Creche, Diretor Presidente da Fundação Florestan Fernandes (Formação Profissional ).

Participou do desenvolvimento de vários projetos de Formação de Professores com Oficinas de Jogos Cooperativos , Danças Circulares, Tecelagem em Tear Manual, Palestras sobre Emotologia, Programação Neurolinguística e Desenvolvimento Humano.

Formação Acadêmica: Magistério; Pedagogia; Pós-Graduação em Jogos Cooperativos

Outras Formação: Curso de Danças Circulares pela Triom; Master Practitioner  em Programação Neurolinguística pelo Instituto Saber em São Paulo; Formação Básica e Inter-Avançada em Emotologia (a verdadeira ciência do ser humano ) pela Cidade do Cérebro em Campinas; Curso de Palestrante pela Academia do Palestrante em São Paulo e  outros.

Atuação  Profissional: Além das relatadas acima foi professor de Ensino Fundamental na Prefeitura Municipal de São Bernardo de 1999 a 2004;

Atualmente atua como Assistente Pedagógico na Fundação Florestan Fernandes em Diadema; ministra palestras, Cursos, Seminários e Oficinas em Escolas, Empresas, ONGs... Atua como Consultor em Programação Neurolinguística com foco na Educação no Instituto Saber em São Paulo.

"Sou um praticante de atividades físicas,  adoro brincar com crianças, jovens e adultos. Pratico corrida de longas distâncias pelo menos três vezes por semana. Sou um verdadeiro apaixonado  pelo ser humano e tenho como Missão Contribuir para o Desenvolvimento das Potencialidades Humanas."

Sebastião de Oliveira Coelho

 

Me coloco à sua disposição para CON-TATO pelo e-mail: seboc06@yahoo.com.br

 

 “Se o Importante e Competir o Fundamental é Cooperar”. Este livro passou a ser a referencia do tema no Brasil e passou também a figurar nas bibliografias de concursos públicos para profissionais da Educação, recreação e outros. Em pouco tempo os Jogos Cooperativos estavam presentes nos vários  segmentos da sociedade tais como, educacional, empresarial, no campo da saúde, nos segmentos administrativos e muitos outros.

Recreação Magazine: Comente um pouco conosco sobre o cooperar e o competir.  Acredita que são conceitos que se opõem ou se completam? Devíamos substituir o competir pelo cooperar?

A humanidade quando foi evoluindo na organização social ao longo da história, foi distanciando daquele jeito primitivo de viver em Comum-Unidade, foram criando cercas,  regras para a Com-Vivência com foco no indivíduo, gerando assim  uma cultura individualista, onde os interesses passam a ser de alguns que dão  ordens aos outros, e não do coletivo. Este novo paradigma gera nas pessoas o comportamento de Com-Petir  umas com as outras e esta se torna a ação prioritária de todos,  um novo valor que é ensinado de geração a geração a competição, daí o bordão “você tem que competir com os outros, em tudo,  para ser o melhor”.

“Cooperar ou Competir”,  são formas de agir e ser no mundo,  portanto, no meu entender, pode ser uma escolha consciente  buscarmos ações que no dia-a-dia nos levem a ter um comportamento cooperativo ou competitivo. Creio que pode ser muito saudável você viver numa sociedade onde o valor primordial possa ser a solidariedade,  a harmonia,  que são princípios  da Cooperação. Acredito também que é nosso papel apresentar às pessoas que convivem conosco que existe este dois jeitos de viver na  sociedade, Cooperando ou Competindo, cada um deles vai gerar um resultado diferente do outro. Quero ressaltar que podemos construir um novo paradigma a partir do mito de que “é a competição  que nos faz evoluir”.

Apresento a seguir uma definição de Cooperação e Competição descrita por Fábio Brotto em 1999, “Cooperação é um processo de interação social, em que os objetivos  são comuns, as ações são compartilhadas e os benefícios são distribuídos por todos”.  “Competição é um processo de interação social, em que os objetivos são mutuamente exclusivos, as ações são isoladas ou em oposição umas às outras, e os benefícios são destinados somente para alguns”.  

Recreação Magazine:  Como se dá a prática dos jogos cooperativos no ambiente escolar?  Quais os principais benefícios que posso extrair de sua prática?
 

A prática Cooperativa no ambiente escolar passa pela ressignificação de valores que o professor  poderá fazer se sua escolha for atuar com os  Jogos Cooperativos. É imprescindível que o professor tenha um profundo conhecimento do que são os Jogos Cooperativos e seus fundamentos. Sem o devido preparo há um risco de distorção que poderá comprometer o entendimento dos Jogos Cooperativos e sua eficácia no processo educacional. De posse dessas informações e “sem medo de ser feliz” é só apresentá-los aos alunos, através de atividades em sala de aula ou em atividades extra-classe, formando grupos de ação sempre, e estabelecendo regras claras de participação. Estas práticas irão gradativamente gerando  novos comportamentos nos participantes dos grupos que passam a conviver de forma mais harmoniosa uns com os outros. O resultado deste processo será um prazer maior na ação pedagógica do professor para o consecução dos objetivos de aprendizagem com seu grupo de alunos. Esta experiência prazerosa, eu tive a oportunidade de vivenciar em sala de aula com  alunos durante alguns anos.      

Recreação Magazine: Queria encerrar agradecendo mais uma vez sua importante participação... (comentários sobre as respostas) e pedir para que se despeça deixando umas palavras "cooperativas", para nossos leitores.

Quero finalizar esta minha participação em Recreação Magazine, agradecendo de coração, primeiramente ao Ronaldo, que tive o privilégio de conhecer em uma Oficina de Jogos Cooperativos ministrada por mim em Diadema nos mês de Outubro  de 2009, pelo convite para esta entrevista. Em segundo lugar quero agradecer de coração a você leitor que dedicou alguns minutos do seu precioso tempo para ler esta matéria, obrigado.

Encerro deixando a todos uma mensagem do nosso mestre da Cooperação Fábio Otuzi Brotto: “Minha intenção é fazer a parte que me cabe: comunicar quem SOU. Fazer “CON-TATO” com quem VOCÊ É. Para encontrar quem somos NÓS... Por isso, confio que partilharemos desta jornada essencial de resgate da nossa possibilidade de SER e VIVER em COMUM-UNIDADE”.

 

 

 

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