Recreação Magazine
                       Novembro de 2009  -  Número 02  -  Ano I

 







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Outubro

 

      

 

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A importância do Brincar

Olá queridos leitores.  Na edição de Outubro nosso ensaio deu uma visão geral do brincar, em termos de contribuição para o desenvolvimento humano, seja sob a ótica da exercitação da emoção e do relacionamento social, seja como mecanismo preparatório para as funções cognitivas ou como estimulador do crescimento e desenvolvimento físico, orgânico e motor.  Comentamos ainda a possibilidade de utilização do brincar como ferramenta motivacional, que se encontra muito ligada ao universo espontâneo da criança, jovem e mesmo do adulto, gerando prazer em aprender e possibilitando envolvimento e conseqüentemente um aprendizado com características mais integrais.  Agora em nossas próximas etapas, desenvolveremos estes temas pedagógicamente isolados, permitindo um maior aprofundamento e maior reflexão sobre a importância do brincar, mas gostaríamos que, como leitor, você nunca se afaste do conceito de que o brincar trabalha uma grande quantidade de variáveis de aprendizado simultaneamente, e o que vamos fazer é focar em óticas de observação de determinados fenômenos, sendo que estes estão ocorrendo dentro de um universo muito, mais muito maior.

 

Ensaio do Mês

 

O Brincar e o Trabalho.

O brincar em nossa sociedade sempre esteve ligado ao não trabalhar, a um momento da vida em que suspendo meus objetivos e realizo uma atividade secundária, apenas como descanso das responsabilidades, como um instrumento unicamente de revigorar as forças para um melhor desempenho do trabalho, do real objetivo.  Quando criança ouvimos de nossas mães, “pare de brincar e vá estudar”, “esta criança só quer saber de brincar”, “é um vagabundo, vai na escola e só fica brincando!”, entre outras frases que nos passam a mensagem... “estudar é importante, brincar não!”, afinal, se “queremos ser alguém” temos que nos preparar para o futuro e, “o futuro é ter um excelente emprego”!  Quando adultos a regra continua.  Sair para passear, brincar, sair com amigos, assistir TV, praticar esportes, todos nossos momentos de lazer são considerados como pausa temporária de objetivos e, a não ser que você já seja um “profissional bem sucedido” e entenda isto por bem sucedido financeiramente, a maior parte da sociedade pode te recriminar por estar perdendo tempo brincando, sendo um preguiçoso.

Agora vamos analisar tudo isto com um pouco mais de calma.  Será que brincar e trabalhar são opostos, será que brincar significa perder tempo de estudos, significa não aprender, não se preparar para o trabalho ou para a vida.   Será ainda que a vida é trabalhar?

Bom, começando por nossa última pergunta, que é a mais ideológica, só posso responder seguindo minha crença pessoal...  não, a vida não é trabalhar!  Segundo a organização mundial de saúde a vida saudável deve estar dividida em três grandes blocos de objetivos.  Um terço da vida, cerca de pouco mais de cinqüenta horas semanais (uma semana tem cento e sessenta e oito horas), devem ser dedicadas ao descanso e revigorar das forças, sendo dormindo, relaxando, meditando, etc. 

Outro um terço, devemos dedicar ao lazer e atividades que nos levam à realização pessoal, sejam elas, brincar, passear, curtir sua família e amigos, ser voluntário, auxiliar o próximo, exercer a política, conhecer coisas novas, exercer sua fé.  Ou seja, ser você mesmo, realizar as tarefas que te trarão engrandecimento moral e justificarão o porquê de você estar vivo.  Juntamente com isto, encaixam-se neste um terço do tempo os cuidados pessoais de higiene, alimentação saudável e necessidades biológicas,  o que tornam você um ser integral.

Finalmente o terceiro fragmento deste tempo é dedicado ao trabalho, às atividades de sobrevivência.  Desde os tempos mais antigos devemos trabalhar para sobreviver, para obter alimentos, roupas, moradia, subsídios para transporte e saúde, para nós e para nossos dependentes, diretamente ou através da obtenção de recursos para a aquisição comercial destes.  É claro que por vezes meu trabalho pode representar minha realização pessoal, meu contato com os amigos, meu revigorar de forças.  Devemos mesmo buscar isto, trabalhar com prazer, ser feliz e acreditar na importância de nosso trabalho para a sociedade e para o bem comum.  Isto é bastante positivo e agradeça muito se este for o seu caso, mas tome muito cuidado, assim é que surgem os viciados em trabalho, que muitas vezes desenvolvem doenças seriíssimas, tanto físicas com sociais. Mas esta não é a regra, trabalhar é uma atividade complementar da vida, ligada a sustentabilidade financeira ou de obtenção de recursos para a sobrevivência.

Bom, esta divisão por si só já justificaria a importância do brincar e já marca que a vida tem momentos de brincar e de trabalhar (ou estudar) sem que estes conceitos se oponham, mas que se complementem.  Mas podemos ir mais além.

 O Brincar para o Trabalho

Gostaríamos de apresentar aqui uma nova análise.  O brincar, longe de ser uma oposição ao trabalho, talvez seja um dos principais acessos ao mercado de trabalho, o grande formador do perfil de um excelente profissional!

Conversando com grandes nomes do mercado profissional da atualidade podemos notar que o mercado de trabalho se encontra em grande transformação, exigindo um profissional com características novas, em oposição a uma crença social muito aceita, de que o importante é acumular conhecimentos e que, quanto mais informações eu tiver, melhor vou trabalhar, mais chances terei de ser selecionado para um novo emprego ou mesmo, já trabalhando, terei uma ascensão profissional mais rápida.

É comum encontrarmos grandes corporações, assim como pequenos e médios estabelecimentos mais preocupados com características pessoais e relacionais do que com o QI (quociente de inteligência do indivíduo).  Na prática, a maioria das funções de trabalho podem ser ensinadas pela própria empresa, através de treinamentos.  Ao contrário disto, as empresas não têm tempo nem condições para moldar a personalidade, tendo que avaliar o perfil profissional de maneira bem precisa.

Se levarmos em consideração as observações de Howard Gardner (Universidade de Harvard) quando apresenta algumas características básicas para um bom profissional: perseverança, criatividade, comprometimento, ética, empatia podemos notar que isto está estreitamente ligado às características do brincar.

O brincar leva a criança motivadamente a um objetivo, individual ou em grupo, que tem que ser atingido para a obtenção do prazer da tarefa completa, estimulando a perseverança.  Como a atividade tem significado dentro da linguagem da criança e este objetivo está razoavelmente próximo, a criança luta pela obtenção.  Isto se diferencia do conceito de que você precisa estudar isto porque quando crescer poderá precisar em seu trabalho.  O objetivo está distante, longe do horizonte concreto da criança, baixando a motivação e diminuído o incentivo a perseverança.

Quanto a criatividade o brincar esbanja possibilidades.  Solução de problemas para alcançar o objetivo do jogo, estratégias para alcançar metas, preocupações com a estética de um produto ou trabalho de arte, de um jogo de representação, são excelentes treinos para a criatividade.  O próprio jogo simbólico do fazer de conta que sou um pirata ou um piloto, ou o usar objetos com finalidades diferentes da original, como usar uma vassoura como cavalo, ou uma caixa de papelão com avião também são inigualáveis exercícios para o amadurecimento da criatividade.

As atividades realizadas em grupo geram uma preocupação com o objetivo e com a vontade do outro de atingi-lo.  Fazemos determinadas funções em brincadeiras que estão relacionadas ao todo do brincar, ao objetivo geral do grupo.  Isto gera comprometimento gradual, e sendo aumentado gradualmente o nível de exigência de performance de equipe, este elemento vai amadurecendo rapidamente, sendo alimentado  pela sensação de fazer parte e ser bem aceito por um grupo.

Quanto a ética, ela é propiciada pelo cooperar e a busca pelo bem estar, embutidos no conceito do brincar, do lúdico, do jogo.  A condução de um profissional e as regras dos jogos criam um ambiente de busca pela ética.  No brincar espontâneo e nas atividades sem rígidas regras, a ética acaba sendo mantida pela necessidade de manter meu parceiro(s) de brincadeira, afinal, como não há obrigatoriedade do brincar, se minha atitude se apresenta sem ética, a situação afasta meus companheiros, que, sentindo prejudicados, se desmotivam e acabam por abandonar a brincadeira.

Por fim a empatia é treinada a cada momento da atividade lúdica coletiva.  Para brincar e jogar é preciso me integrar a um grupo.  Preciso conhecer a necessidade do outro, escolher pessoas com habilidades que possam contribuir para o objetivo da atividade e conseqüentemente aprender a ver e entender o outro, demonstrar suas características boas para ser escolhido por uma equipe, ser ouvido, liderar, dar sugestões, ter as sugestões aceitas, pressupõe uma boa prática social.  As crianças que se recusam a desenvolver estas habilidades não consegue obter o prazer do brincar.  Orientada por um bom profissional e exposta às atividades corretas para seu gosto a criança acaba aumentando sua exposição e vivenciando o prazer do fazer parte de algo e, amadurece, passo a passo suas características de bom convívio social.

Bom, baseado na análise destes elementos, poderíamos dizer então que brincar, orientado por um bom profissional da educação ou recreação pode representar quase que um MBA para sua formação profissional, não acha?!

 

Prof. Ronaldo Tedesco Silveira

É especialista em Educação Superior, trabalha com recreação infantil há 17 anos, com experiências inclusive fora do país.  Atualmente realiza consultoria e treinamento para empresas do setor, acampamentos educacionais e escolas. É fundador do Centro de Estudos do Lazer, Educação, Integração, Recreação e Ócio e idealizador da "Coleção Rodas Cantadas", DVD de apoio pedagógico.

 

Acompanhe no mês de dezembro nossa seção e reflita lendo um novo ensaio sobre o brincar.  Não perca!  Você também pode participar mandando seu ponto de vista, sua crítica ou sugestão.  Participe.

 

 

 

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