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 Recreação Magazine

    Centro de Estudos do Lazer, Educação, Integração, Recreação e Ócio                                                                        Ano I - Numero 03 - Dezembro/09

  

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Neste mês de Dezembro, Recreação Magazine entrevista a professora Ana Carolina. Acompanhe este gostoso e enriquecedor bate papo.

 

Recreação Magazine: Olá professora Ana Carolina, é um prazer receber você em nossa revista...

 Ana Carolina:  Olá Pudim!  Fiquei muito feliz com o convite, pois é sempre um prazer conversar sobre recreação e educação, assuntos pelos quais sou apaixonada, e ainda mais com você, com quem já aprendi tanto!

Recreação Magazine: Onde você está ministrando aulas e com que idades está trabalhando?

Ana Carolina:  Sou professora da E.M.E.F. Professor Olavo Pezzotti em São Paulo e neste ano estou trabalhando com crianças de 8 e 9 anos de idade, que cursam a 3ª série do Ensino Fundamental. Mas em 2010 voltarei a trabalhar com uma faixa etária que adoro: 4 – 5 anos. Você sabe que a minha experiência como recreadora sempre esteve bem voltada para os pequenos, então estou muito feliz com essa mudança!  

 Recreação Magazine: Você foi recreadora por muito tempo, antes de ser professora.  Como isto ajudou (ou não ajudou) você quando começou a dar aulas? 

Ana Carolina:  Sem dúvida alguma, a minha experiência como recreadora me ajudou muito em sala de aula. Infelizmente, os cursos de formação de professores, tanto técnicos como de ensino superior, aprofundam-se em teorias, mas ensinam muito pouco sobre a prática. E quando um professor entra em sala de aula, encontra um grupo de crianças com características, dificuldades, necessidades, conhecimentos e experiências variadas e bem diferentes do que viu  nos livros. Na minha bagagem de recreadora eu já trazia a experiência em lidar com grupos diferentes e identificar como lidar com cada um deles, o que facilitou meu início de trabalho como educadora.

Outra coisa que a recreação me ensinou e eu levei tanto para a escola quanto para a minha vida pessoal é que quando falamos com um aluno ou um grupo, não o fazemos apenas através das palavras, mas também através do tom e modulação de voz, dos gestos, movimentação, olhares e até mesmo do toque. E tudo isso, pode ser decisivo na criação de um vínculo de qualidade entre professor e aluno e conseqüentemente facilitar (ou dificultar!) o processo de ensino-aprendizagem.

Percebo também, que o relacionamento que estabeleço com meus alunos é bastante diferente que o da maioria dos professores. Enquanto eles ainda estão ligados a uma educação tradicional, autoritária, repetitiva e que preza a ordem e o silêncio, eu prezo o bom relacionamento, a afetividade, a motivação, a criatividade, a construção de conhecimentos e o prazer em aprender. E tudo isso eu aprendi trabalhando com recreação.

Recreação Magazine: Você usa elementos da recreação em suas atividades de aula?

Ana Carolina:  Aos poucos  fui levando para a escola as rodas cantadas e jogos recreativos e rapidamente observei resultados positivos, por isso, hoje eles são presença garantida em meus planejamentos de aula. Procuro levar elementos recreativos  com diferentes propósitos pedagógicos: para despertar a curiosidade, motivar o aprendizado, exercitar e sistematizar conhecimentos e também para desenvolver as relações interpessoais, valores e quebrar a rotina quando percebo que o grupo está mentalmente cansado.

 Recreação Magazine:  Você acredita que a utilização de estratégias recreativas na escola auxiliam o processo de ensino-aprendizagem?

Ana Carolina:  Não só acredito como tenho provas disso diariamente.  As crianças ficam mais motivadas, relacionam-se melhor e aprendem com mais facilidade. Aliás, não só as crianças! Quem de nós não optaria por participar de uma aula dinâmica, divertida e prazerosa ao invés de ficar horas sentado, ouvindo outra pessoa falar sem parar e praticando exercícios maçantes e descontextualizados? As pesquisas em diversos campos, não só no da educação, têm mostrado os grandes benefícios trazidos pelas atividades lúdicas e recreativas. As empresas, por exemplo, estão recorrendo cada vez mais a treinamentos com elementos recreativos como dinâmicas de grupos, rodas cantadas, atividades de caça e etc. para aumentar a produtividade  da equipe.

Quando a atividade é lúdica e prazerosa, contribui para um melhor relacionamento social, alivia as tensões, motiva, facilita o aprendizado e até mesmo a memorização, em qualquer idade. 

Observo que as estratégias recreativas na escola despertam inúmeros sorrisos e um sorriso representa uma porta aberta para o aprendizado! É sinal de motivação, de interesse, de querer  lançar-se sobre o novo que acaba de ganhar um significado. Ou seja, tudo o que um professor deseja de seu aluno!

Recreação Magazine:  Quais são as principais mudanças que você nota em seus alunos e que pode atribuir à utilização de jogos e brincadeiras em suas aulas?

Ana Carolina:  Percebo que eles freqüentam a escola com mais alegria e interesse, apresentam maior facilidade para trabalhar em grupo e tornam-se mais autônomos e confiantes para enfrentar desafios.

 Recreação Magazine: Então é possível que uma criança aprenda brincando? Isto está restrito a alguns assuntos ou é possível ensinar linguagem, matemática, ciências e outras temáticas através do brincar?

Ana Carolina:  Não só é possível, como esta é uma grande ferramenta pedagógica que pode, e em minha opinião, deve ser utilizada no ensino das diferentes áreas de conhecimento.

A maneira mais freqüente de se utilizar as atividades recreativas é aquela em que vestimos um jogo já existente com a roupa de um conteúdo, por exemplo: um jogo da memória com antônimos ou sinônimos, um bingo com os resultados das tabuadas, um jogo de trilha relacionado a alimentação, um caça ao tesouro com pistas históricas e por aí vai. Em geral, essas atividades abrangem conteúdos que já foram ensinados para que os alunos possam exercitá-los ou memorizá-los.

Conheça Melhor

Ana Carolina Cassola

 

Nascida em São Paulo, Ana Carolina, cresceu freqüentando Acampamentos de Férias, onde teve a oportunidade de brincar muito, cantar, pular, fazer amigos e ser completamente envolvida pela magia da recreação.

Iniciou seu trabalho com crianças aos 16 anos de idade, enquanto cursava o magistério e rapidamente apaixonou-se pelas crianças e pela educação.

Por essa razão, nunca parou de estudar! Graduou-se em psicologia e pedagogia e especializou-se em Alfabetização Escrita e Numérica.

 

Atua como recreadora desde os 19 anos de idade em acampamentos e hotéis, principalmente com o público de 3 a 17 anos.

Como psicóloga acumula experiência em atendimento clínico infantil e em consultoria a abrigos e creches.

Atualmente trabalha como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I na Prefeitura Municipal de São Paulo.

Contato: psico.anacarolina@gmail.com

 

Mas o uso da recreação no processo de ensino-aprendizagem, como já conversamos, pode ir bem além disso, se os utilizarmos com diferentes propósitos! Suponhamos, por exemplo, que iremos introduzir o conceito de multiplicação: apresentamos um jogo que envolva a compra e venda de alimentos, revistas, terrenos, ou o que for do interesse da turma. Com ele estaremos mobilizando conhecimentos prévios sobre operações matemáticas, sistema monetário e o uso social de tais conteúdos. Durante o jogo a criança deve experimentar a compra e venda de mais de um elemento com o mesmo preço, como 5 maçãs, 10 revistas e etc. Ao final do jogo, socializamos as experiências vividas, fazemos intervenções para saber qual procedimento o grupo utilizou para descobrir o valor total da compra e nesse momento introduzimos o uso e o conceito  da multiplicação, que é a soma de parcelas iguais. Este é um exemplo de jogo que tem como objetivo despertar o interesse da turma sobre um tema, ou seja, um objetivo diferente do que citei anteriormente, que era a fixação de conteúdos trabalhados.

Um aspecto muito interessante da aplicação de jogos na educação é que ao utilizá-los você trabalha tanto os conteúdos que deseja quanto uma série de outras competências cognitivas. Anteriormente citei o uso de um caça ao tesouro para ensinar conteúdos de História. Neste exemplo, ao participar deste caça, além dos conteúdos de História, o aluno irá desenvolver também competências relacionadas à leitura e compreensão de texto que são expectativas de aprendizagem de Língua Portuguesa.

Recreação Magazine: Você além de professora também é formada em psicologia.  Como vê o brincar relacionado ao desenvolvimento e amadurecimento emocional das crianças e jovens?

Ana Carolina: O brincar é uma atividade muito rica, pois é capaz de atuar no desenvolvimento motor, emocional e social, ou seja, no desenvolvimento global do ser humano.

Enquanto nós adultos já aprendemos a lidar como nossas emoções, pensamento, preocupações etc. através da linguagem oral, as crianças lidam com seus problemas através do jogo e das brincadeiras, pois ainda estão aprendendo a dar nomes ao que sentem e pensam.

 É através deles que elas conseguem expressar tanto a alegria, a  satisfação, quanto à  tristeza,  angústia e raiva. Dessa forma, o brincar apresenta-se como um poderoso instrumento terapêutico que ajuda a criança a entender e lidar com seus próprios sentimentos, que muitas vezes ainda não são capazes de identificar ou entender.

Além de se conhecerem melhor, elas aprendem a lidar com o sucesso e com as frustrações, reconhecem suas  dificuldades e habilidades, vivenciam situações angustiantes e podem experimentar papéis diferentes dos que vivem.

O brincar também ajuda no relacionamento social, pois permite estabelecer relações sociais cooperativas e competitivas, sentir-se pertencentes a grupos, construir valores éticos, desenvolver a auto-estima, a auto-confiança e a criatividade.

Recreação Magazine:  Estamos terminando nossa conversa, então gostaria que você se despedisse de nossos leitores deixando uma mensagem...

Ana Carolina:  Em primeiro lugar, quero agradecer a oportunidade de compartilhar com vocês um pouquinho da minha prática recreativa e pedagógica. Espero ter contribuído de alguma maneira: transmitido conhecimentos,  provocado reflexões, estimulado a imaginação e criatividade dos leitores ou até mesmo proporcionado um momento prazeroso de leitura. Aproveito para lhes deixar um contato meu: psico.anacarolina@gmail.com e me colocar a disposição para continuarmos esse gostoso bate-papo. Um abraço carinhoso e até a próxima!

 Recreação Magazine:  Agradeço muito e desejo boas festas e muito sucesso em sua vida e carreira.

 

 

 

 

 

 

 

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