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Recreação Magazine:
Olá professora Ana Carolina, é um prazer receber você em nossa
revista...
Ana Carolina: Olá Pudim! Fiquei muito feliz com o
convite, pois é sempre um prazer conversar sobre recreação e
educação, assuntos pelos quais sou apaixonada, e ainda mais com
você, com quem já aprendi tanto!
Recreação Magazine:
Onde você está ministrando aulas e com que idades está trabalhando?
Ana Carolina: Sou professora da E.M.E.F. Professor Olavo
Pezzotti em São Paulo e neste ano estou trabalhando com crianças de
8 e 9 anos de idade, que cursam a 3ª série do Ensino Fundamental.
Mas em 2010 voltarei a trabalhar com uma faixa etária que adoro: 4 –
5 anos. Você sabe que a minha experiência como recreadora sempre
esteve bem voltada para os pequenos, então estou muito feliz com
essa mudança!
Recreação
Magazine:
Você foi recreadora por muito tempo, antes de ser professora. Como
isto ajudou (ou não ajudou) você quando começou a dar aulas?
Ana Carolina: Sem dúvida alguma, a minha experiência como
recreadora me ajudou muito em sala de aula. Infelizmente, os cursos
de formação de professores, tanto técnicos como de ensino superior,
aprofundam-se em teorias, mas ensinam muito pouco sobre a prática. E
quando um professor entra em sala de aula, encontra um grupo de
crianças com características, dificuldades, necessidades,
conhecimentos e experiências variadas e bem diferentes do que viu
nos livros. Na minha bagagem de recreadora eu já trazia a
experiência em lidar com grupos diferentes e identificar como lidar
com cada um deles, o que facilitou meu início de trabalho como
educadora.
Outra coisa que a recreação me ensinou e eu levei tanto para a
escola quanto para a minha vida pessoal é que quando falamos com um
aluno ou um grupo, não o fazemos apenas através das palavras, mas
também através do tom e modulação de voz, dos gestos, movimentação,
olhares e até mesmo do toque. E tudo isso, pode ser decisivo na
criação de um vínculo de qualidade entre professor e aluno e
conseqüentemente facilitar (ou dificultar!) o processo de
ensino-aprendizagem.
Percebo também, que o relacionamento que estabeleço com meus alunos
é bastante diferente que o da maioria dos professores. Enquanto eles
ainda estão ligados a uma educação tradicional, autoritária,
repetitiva e que preza a ordem e o silêncio, eu prezo o bom
relacionamento, a afetividade, a motivação, a criatividade, a
construção de conhecimentos e o prazer em aprender. E tudo isso eu
aprendi trabalhando com recreação.
Recreação Magazine:
Você usa elementos da recreação em suas atividades de aula?
Ana Carolina: Aos poucos fui levando para a escola as
rodas cantadas e jogos recreativos e rapidamente observei resultados
positivos, por isso, hoje eles são presença garantida em meus
planejamentos de aula. Procuro levar elementos recreativos com
diferentes propósitos pedagógicos: para despertar a curiosidade,
motivar o aprendizado, exercitar e sistematizar conhecimentos e
também para desenvolver as relações interpessoais, valores e quebrar
a rotina quando percebo que o grupo está mentalmente cansado.
Recreação
Magazine:
Você acredita que a utilização de estratégias recreativas na escola
auxiliam o processo de ensino-aprendizagem?
Ana Carolina:
Não só acredito como tenho provas disso diariamente. As crianças
ficam mais motivadas, relacionam-se melhor e aprendem com mais
facilidade. Aliás, não só as crianças! Quem de nós não optaria por
participar de uma aula dinâmica, divertida e prazerosa ao invés de
ficar horas sentado, ouvindo outra pessoa falar sem parar e
praticando exercícios maçantes e descontextualizados? As pesquisas
em diversos campos, não só no da educação, têm mostrado os grandes
benefícios trazidos pelas atividades lúdicas e recreativas. As
empresas, por exemplo, estão recorrendo cada vez mais a treinamentos
com elementos recreativos como dinâmicas de grupos, rodas cantadas,
atividades de caça e etc. para aumentar a produtividade da equipe.
Quando a atividade é lúdica e prazerosa, contribui para um melhor
relacionamento social, alivia as tensões, motiva, facilita o
aprendizado e até mesmo a memorização, em qualquer idade.
Observo que as estratégias recreativas na escola despertam inúmeros
sorrisos e um sorriso representa uma porta aberta para o
aprendizado! É sinal de motivação, de interesse, de querer
lançar-se sobre o novo que acaba de ganhar um significado. Ou seja,
tudo o que um professor deseja de seu aluno!
Recreação Magazine:
Quais são as principais mudanças que você nota em seus alunos e que
pode atribuir à utilização de jogos e brincadeiras em suas aulas?
Ana Carolina: Percebo que eles freqüentam a escola com
mais alegria e interesse, apresentam maior facilidade para trabalhar
em grupo e tornam-se mais autônomos e confiantes para enfrentar
desafios.
Recreação Magazine:
Então é possível que uma criança aprenda brincando? Isto está
restrito a alguns assuntos ou é possível ensinar linguagem,
matemática, ciências e outras temáticas através do brincar?
Ana Carolina:
Não só é possível, como esta é uma grande ferramenta pedagógica que
pode, e em minha opinião, deve ser utilizada no ensino das
diferentes áreas de conhecimento.
A maneira mais freqüente de se utilizar as atividades recreativas é
aquela em que vestimos um jogo já existente com a roupa de um
conteúdo, por exemplo: um jogo da memória com antônimos ou
sinônimos, um bingo com os resultados das tabuadas, um jogo de
trilha relacionado a alimentação, um caça ao tesouro com pistas
históricas e por aí vai. Em geral, essas atividades abrangem
conteúdos que já foram ensinados para que os alunos possam
exercitá-los ou memorizá-los.
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Conheça Melhor

Ana Carolina Cassola
Nascida em São Paulo, Ana Carolina, cresceu freqüentando
Acampamentos de Férias, onde teve a oportunidade de brincar muito,
cantar, pular, fazer amigos e ser completamente envolvida pela magia
da recreação.
Iniciou seu trabalho com crianças aos 16 anos de idade, enquanto
cursava o magistério e rapidamente apaixonou-se pelas crianças e
pela educação.
Por essa razão, nunca parou de estudar! Graduou-se em psicologia e
pedagogia e especializou-se em Alfabetização Escrita e Numérica.
Atua como recreadora desde os 19 anos de idade em acampamentos e
hotéis, principalmente com o público de 3 a 17 anos.
Como psicóloga acumula experiência em atendimento clínico infantil e
em consultoria a abrigos e creches.
Atualmente trabalha como professora de Educação Infantil e Ensino
Fundamental I na Prefeitura Municipal de São Paulo.
Contato: psico.anacarolina@gmail.com
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Mas o uso da recreação no processo de ensino-aprendizagem, como já
conversamos, pode ir bem além disso, se os utilizarmos com
diferentes propósitos! Suponhamos, por exemplo, que iremos
introduzir o conceito de multiplicação: apresentamos um jogo que
envolva a compra e venda de alimentos, revistas, terrenos, ou o que
for do interesse da turma. Com ele estaremos mobilizando
conhecimentos prévios sobre operações matemáticas, sistema monetário
e o uso social de tais conteúdos. Durante o jogo a criança deve
experimentar a compra e venda de mais de um elemento com o mesmo
preço, como 5 maçãs, 10 revistas e etc. Ao final do jogo,
socializamos as experiências vividas, fazemos intervenções para
saber qual procedimento o grupo utilizou para descobrir o valor
total da compra e nesse momento introduzimos o uso e o conceito da
multiplicação, que é a soma de parcelas iguais. Este é um exemplo de
jogo que tem como objetivo despertar o interesse da turma sobre um
tema, ou seja, um objetivo diferente do que citei anteriormente, que
era a fixação de conteúdos trabalhados.
Um aspecto muito interessante da aplicação de jogos na educação é
que ao utilizá-los você trabalha tanto os conteúdos que deseja
quanto uma série de outras competências cognitivas. Anteriormente
citei o uso de um caça ao tesouro para ensinar conteúdos de
História. Neste exemplo, ao participar deste caça, além dos
conteúdos de História, o aluno irá desenvolver também competências
relacionadas à leitura e compreensão de texto que são expectativas
de aprendizagem de Língua Portuguesa.
Recreação
Magazine:
Você além de professora também é formada em psicologia. Como vê o
brincar relacionado ao desenvolvimento e amadurecimento emocional
das crianças e jovens?
Ana Carolina:
O brincar é uma atividade muito rica, pois é capaz de atuar no
desenvolvimento motor, emocional e social, ou seja, no
desenvolvimento global do ser humano.
Enquanto nós adultos já aprendemos a lidar como nossas emoções,
pensamento, preocupações etc. através da linguagem oral, as crianças
lidam com seus problemas através do jogo e das brincadeiras, pois
ainda estão aprendendo a dar nomes ao que sentem e pensam.
É através deles que elas conseguem expressar tanto a alegria, a
satisfação, quanto à tristeza, angústia e raiva. Dessa forma, o
brincar apresenta-se como um poderoso instrumento terapêutico que
ajuda a criança a entender e lidar com seus próprios sentimentos,
que muitas vezes ainda não são capazes de identificar ou entender.
Além de se conhecerem melhor, elas aprendem a lidar com o sucesso e
com as frustrações, reconhecem suas dificuldades e habilidades,
vivenciam situações angustiantes e podem experimentar papéis
diferentes dos que vivem.
O brincar também ajuda no relacionamento social, pois permite
estabelecer relações sociais cooperativas e competitivas, sentir-se
pertencentes a grupos, construir valores éticos, desenvolver a
auto-estima, a auto-confiança e a criatividade.
Recreação Magazine:
Estamos terminando nossa conversa, então gostaria que você se
despedisse de nossos leitores deixando uma mensagem...
Ana Carolina: Em primeiro lugar, quero agradecer a
oportunidade de compartilhar com vocês um pouquinho da minha prática
recreativa e pedagógica. Espero ter contribuído de alguma maneira:
transmitido conhecimentos, provocado reflexões, estimulado a
imaginação e criatividade dos leitores ou até mesmo proporcionado um
momento prazeroso de leitura. Aproveito para lhes deixar um contato
meu: psico.anacarolina@gmail.com e me colocar a disposição para
continuarmos esse gostoso bate-papo. Um abraço carinhoso e até a
próxima!
Recreação Magazine:
Agradeço muito e desejo boas festas e muito sucesso em sua
vida e carreira.
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